FORMAÇÃO INTERNACIONAL EM YOGA - STUDIO INTEGRAL SP

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YOGA INTEGRAL

O Studio Integral SP carrega o nome e a orientação espiritual do Yoga Integral, que baseia-se na filosofia dos mestres indianos Sri Aurobindo e Mirra Alfassa (A Mãe).  Sua cosmovisão é uma síntese moderna dos Yogas do passado que aponta o caminho para o futuro da humanidade e para o florescimento de uma nova consciência coletiva.

Sri Aurobindo afirma que a evolução é um progressivo desvelar da Consciência na Matéria, que se inicia com a aparente inconsciência no reino mineral, passando pela consciência interiorizada do reino vegetal, alcançando a consciência já exteriorizada no reino animal, até chegar à consciência mental mais plena no homem. Mas a evolução não terminaria aí: o próximo passo nessa escala ascendente seria a manifestação de um novo estágio, chamado por ele de Supramente. Nesta perspectiva, o Yoga é uma participação ativa nesses processos, visando acelerar essa transição.

Além da mente racional comum – linear e limitada – há um Universo infinito de puro Conhecimento, Verdade e Bem Aventurança que os antigos chamaram de Sat-Chit-Ananda. As chaves para este estado luminoso, presente e disponível em cada ser humano, foram descobertas há milhares de anos (as origens do Yoga remontam de pelo menos 5 mil a.C.). Por algum motivo esta realização não pôde ser empreendida de forma coletiva pelos povos do passado, mas permaneceria sendo, segundo Sri Aurobindo, a mais íntima aspiração, a extrema manifestação para a qual toda a Natureza terrestre tem se preparado desde o princípio.

O Yoga Integral propõe a transformação de pensamentos e padrões mentais de modo a despertar na humanidade  os verdadeiros valores da Paz e da Unidade. A prática física não discrimina nenhuma vertente específica do Yoga, mas integra todas elas com o intuito de levar o praticante  ao encontro de Samadhi,  Realização Suprema, e prolongar esse estado ao dia a dia para promover a realização do Espírito na Matéria. 

Ideal para todos que desejam uma mudança, seja ela física, emocional ou mental. Através do autoconhecimento e do silêncio, pode-se entrar em contato com a Consciência Suprema inerente a todo indivíduo. Ela, por sua vez, pode nos mostrar novos caminhos, trazer insights, despertar a criatividade latente e um equilíbrio entre Coração e  Mente.

No livro " A Tradição do Yoga", o indólogo George Feurstein escreve:

Todas as escolas de Yoga descritas até agora (Karma Yoga, Raja Yoga, Hatha Yoga, Bhakti  Yoga, Jnana Yoga) são criações da Índia pré-moderna. Com o Yoga Integral de Sri Aurobindo, entramos na modernidade. Esse Yoga é a prova viva de que a tradição yogue, que sempre primou pela capacidade de adaptação, continua a desenvolver-se e a reagir às mudanças das condições culturais. O Yoga Integral é a mais destacada tentativa de reformular o Yoga de acordo com as necessidades e as capacidades do homem moderno.

Embora fizesse questão de preservar a continuidade da tradição, Sri Aurobindo ansiava por adaptar o Yoga ao contexto singular do mundo ocidentalizado. Para fazê-lo, não se baseou somente na sua educação ocidental, mas também na profundidade da sua experiência e das suas experimentações com a vida espiritual. Juntava na sua pessoa as raras qualidades de um filósofo original, por um lado, e de um místico e um sábio, por outro.

O Yoga Integral tem a finalidade explícita de fazer descer a “consciência divina” para o corpo e a mente humanos e para a vida comum. O “Yoga supramental” de Sri Aurobindo gira em torno da transformação da vida terrestre. Ele queria ver o paraíso na Terra – uma existência totalmente transmutada, mas neste mundo. Escreveu:

“A diferença fundamental está na doutrina da existência de uma Verdade divina dinâmica que pode descer para este mundo de Ignorância, criar nele uma nova consciência da Verdade e divinizar a Vida. Os antigos Yogas vão direto da mente para a Divindade absoluta e veem toda a existência dinâmica como Ignorância, Ilusão ou Lila; quando se entra na Verdade Divina estática e imutável, dizem eles, escapa-se da existência cósmica. Meu objetivo é o de realizar e também manifestar a Divindade no mundo, trazendo cá para baixo, pra esse fim, um Poder que ainda não se manifestou – como a Supermente”.

 

SRI AUROBINDO

Sri Aurobindo (1872 - 1950) foi um grande pensador, poeta, escritor e filósofo revolucionário, muito à frente de seu tempo. Nascido Aravind Ackroyd Ghose, em Calcuta-pondichery, na Índia, aos cinco anos foi enviado junto com os irmãos maiores para estudar em uma escola inglesa em Darjeeling. Seu pai, médico, havia adotado todos os costumes ingleses, inclusive a vestimenta, pois considerava o povo indiano atrasado e o povo inglês admirável. Quando tinha sete anos os irmãos mudaram-se para a Inglaterra, para completar os estudos em Manchester, onde permaneceram sob a responsabilidade de Mr. Drewetts (um pastor cristão inglês) e sua esposa, que receberam instruções precisas de que os meninos não deveriam ter nenhum tipo de contato com pessoas de origem hindu, nem com qualquer conhecimento da cultura da Índia.

Podemos ver, então, que Sri Aurobindo cresceu  longe de sua pátria, totalmente distante do pensamento, dos costumes, dos aspectos religiosos e até mesmo de sua língua materna, o Bengali. Desde muito jovem mostrou-se um grande prodígio, sobressaindo-se em áreas diversas como literatura, história e política. Aos 16 anos compunha poesias em inglês, grego e latim.  Participou e dirigiu debates, ganhou vários prêmios (em literatura e história). Após 14 anos longe de seu país, sentia que era hora de retornar para participar politicamente da libertação da Índia do domínio da Inglaterra, realizando a viagem em 1893. Tomou o posto de professor de Francês na Universidade de Baroda (mais adiante se tornou também Professor de Inglês e Vice-diretor). 

Por essa mesma época, dedicou-se a escrever versos e começou a primeira versão de Savitri, um grande poema épico. Ademais, dedicava todo o tempo possível à leitura, que incluía desde os clássicos até os pensadores e escritores indianos. Lia rapidamente pacotes inteiros de livros, em diversos diomas: inglês, francês, alemão, italiano, grego, latim. Possuía um maravilhoso poder de concentração.

Apesar dessas experiências, não se decidia a começar a praticar Yoga. Dizia: “Um Yoga que exige que eu desista do mundo, não me serve. Tenho que libertar o meu país”. Não lhe interessava uma salvação solitária, por isso, baseado numa outra concepção, Sri Aurobindo conceberá o Purna Yoga, ou Yoga Integral, que busca a evolução coletiva para um nível mais elevado de consciência - e não de um só indivíduo. O objetivo de começar a dedicar-se ao Yoga era conquistar a libertação da Índia, o que tornou-se também a sua entrada para a vida espiritual.

Em 1904 começou a praticar Yoga e mais intensamente os pranayamas. Em 1907, foi iniciado pelo Yogi Vishnu Baskar Lele na técnica de meditação. Meditou sobre o Bhagavad Gita durante o ano em que esteve preso em Alipur (1908-1909) por envolvimento revolucionário contra o imperialismo britânico na India. Posteriormente (1912-1921) escreveu comentários sobre o Gita tentando mostrar que cada um dos Yogas - Karma (ação impessoal), Jnana (conhecimento do Si) e Bhakti (entrega ao Divino) - precisa ser compreendido e praticado em uma estrutura maior e mais integral.
 

Após a liberdade, em 30 de maio de 1909, Sri Aurobindo começou a trabalhar esforçadamente, mas agora com uma nova visão da vida. As experiências místicas haviam operado profundas mudanças dentro dele. Já não trabalhava para libertar a Índia, agora o mesmo tinha o objetivo de libertar toda a humanidade, e seu trabalho se voltou ao resultado da vida espiritual interior. Retirou-se das atividades políticas em 1910 e dedicou todas as suas energias à disciplina do conhecimento espiritual. Ele também meditou sobre os ensinamentos dos Vedas e Upanishads. Entre 1914 e 1921, as experiências e insights obtidos durante os quatro anos anteriores resultaram em mais de 4000 páginas de escritos filosóficos e espirituais (A Vida Divina, A Síntese do Yoga, Ensaios sobre o Gita, O Ciclo Humano, O Ideal da Unidade Humana, Segredos do Veda, entre outros).

A partir de 1938 (já com 66 anos) Sri Aurobindo passa a se dedicar ainda mais intensamente ao seu trabalho e fica totalmente recluso na escuridão de seu quarto. A libertação da Índia ocorreu no dia 15 de agosto de 1947 – dia em que Sri Aurobindo completava 75 anos. Ele continuou escrevendo suas experiências e ensinamentos em forma de poesia até o fim de sua vida, três anos depois. Em 1950, aos 78 anos, por própria vontade, Sri Aurobindo retira-se do seu corpo no Ashram Sri Aurobindo, em Pondicherry, deixando o legado de seu trabalho espiritual, conhecido como “O Purna Yoga de Sri Aurobindo”.  Seus manuscritos foram publicados em dezenas de livros. As cartas que escreveu para seus discípulos também fazem parte desse acervo, que mais tarde foram agrupadas em um volume chamado “A consciência que vê”

Toda sua obra foi coroada por um poema épico maravilhoso, um grande legado para toda a humanidade: “Savitri”.

Esta lenda, de 23.800 linhas, basta por si só para fazer perdurar a história e o nome de Sri Aurobindo. Ele a escreveu e reescreveu, polindo e aperfeiçoando ao longo de mais de 20 anos. Nela estão contidos todo o seu conhecimento e experiência espiritual – sua visão do universo, da verdade, da vida, do futuro da humanidade e do desenvolvimento de uma consciência divina manifesta.

 

A Mãe

Em 29 de marco de 1914 houve um acontecimento muito especial: Sri Aurobindo e Mirra Alfassa Richard (A Mãe) se encontram pela primeira vez fisicamente - após compartilharem durante anos intensas experiências espirituais. Ela, uma artista e musicista francesa, contava que entre os 11 e os 13 anos de idade havia tido uma série de experiências psíquicas que a levaram a relacionar-se com um ser a quem se referia como Krishna, com quem seu trabalho divino deveria ser feito e a quem deveria encontrar um dia na Terra. No momento em que viu Sri Aurobindo, teve a certeza de que se tratava da mesma força, da mesma presença já conhecida em seus sonhos e desdobramentos. Aurobindo também a reconheceu como uma encarnação/avatar da Divina Mãe, e assim ela ficou conhecida por todos como “A Mãe”.

Mirra voltou para a França e retornou definitivamente à Índia somente seis anos mais tarde, em 24 de abril de 1920. A partir daí, espontaneamente mais e mais pessoas começam a chegar para seguir seu caminho espiritual. Até então Sri Aurobindo não aceitava discípulos. Poucos podiam estar junto dele. Foi a Mãe quem dirigiu a organização da comunidade e sua administração, construindo alojamentos e buscando formas de responder às necessidades básicas de manutenção e alimentação. Lentamente foram organizando todas as atividades. Com o tempo Sri Aurobindo foi se retirando e a Mãe tomou todo o dever de guiar os discípulos. Em 24 de novembro de 1924 foi oficialmente fundado o Sri Aurobindo Ashram.

Ela viveu até 1972 (92 anos) como continuadora do trabalho de Sri Aurobindo, conduzindo o Ashram e idealizando Auroville – uma comunidade construída para ser uma “cidade universal” que pudesse abrigar uma nova consciência para toda a humanidade, inaugurada em 1968. Desde então o trabalho de Sri Aurobindo começou a se espalhar, sendo conhecido e respeitado em todo o mundo. Deixou também muitos trabalhos escritos. 

 

"Seu espírito une-se ao coração da eternidade, e traz o silêncio do Infinito.

Em um divino escape do pensamento mortal, em um gesto prodigioso da visão-alma
Seu ser ergueu-se em alturas impenetráveis, despido de suas vestes de humanidade."

 

Savitri, Sri Aurobindo

Savitri - Uma Lenda e um Símbolo

“Savitri: Uma lenda e um símbolo” é um poema épico baseado na teologia do Mahabharata. Seu tema central gira em torno da transcendência do homem como a consumação da evolução terrestre, e o surgimento de uma raça supramental imortal sobre a terra. Relata a saga da vitória humana sobre a ignorância e a  conquista sobre a morte. Meticulosamente composto em pentâmetro rítmico, cada uma de suas (cerca de) 24 mil linhas é impregnada com o poder de um Mantra.

Esta lenda basta por si só para fazer perdurar na história o nome de Sri Aurobindo. Ele a escreveu e reescreveu, a poliu e aperfeiçoou por mais de 20 anos. Nesta obra estão contidos todo o seu conhecimento e experiência espiritual; sua visão da Verdade, do Universo e da Vida, sua visão sobre o futuro da Humanidade e do desenvolvimento de uma consciência divina manifestada. Foi revisado por dezoito vezes, levando ao todo quase cinqüenta anos para ser concluído. Consiste em 12 livros, com 49 cantos.

 

Sri Aurobindo tinha a intenção de escrever uma longa introdução a Savitri, que nunca ocorreu. Ele, no entanto, escreveu uma nota que aparece no início do poema em todas as suas versões publicadas. Ele diz:

"A história de Satyavan e Savitri é recitada no Mahabharata como uma história de amor conjugal que vence a morte, mas esta lenda é, como mostram muitas das características da história humana, um dos muitos mitos simbólicos do ciclo védico. Satyavan é a alma que carrega a verdade divina do ser dentro de si, mas desceu para o domínio da morte e da ignorância; Savitri é a Palavra Divina, filha do Sol, deusa da Suprema Verdade que desce e nasce para salvar; Aswapati, o Senhor do Cavalo, seu pai humano, é o Senhor de Tapasya, a energia concentrada do esforço espiritual que nos ajuda a subir dos planos mortais aos imortais; Dyumatsena, o Senhor dos Exércitos Brilhantes, pai de Satyavan, é a Mente Divina aqui caída e cega, perdendo seu reino celestial de visão, e através dessa perda seu reino de glória. Ainda assim, isso não é uma mera alegoria, os personagens não são qualidades personificadas, mas encarnações ou emanações de seres vivos e conscientes. Forças com as quais podemos entrar em contato concreto, que podem tomar o corpo humano a fim de ajudar o homem e mostrar-lhe o caminho de seu estado mortal para uma consciência divina e vida imortal".

 

Auroville

Símbolo da fraternidade humana e união do mundo, Auroville foi inaugurada pela Mãe em 28 de fevereiro de 1968. Em seu regulamento se lê que: “Para viver nela, se deve ser um servidor voluntário da Divina Consciência”. Qualquer pessoa pode morar em Auroville, desde que cumpra todos os regimentos. 

Foi construída em formato espiral, representando a “subida da consciência”, a evolução humana. Representantes de 124 países participaram de sua inauguração, oferecendo simbolicamente um punhado de terra representando cada nação. Construída para receber até 50 mil moradores – hoje tem menos de dois mil habitantes, de diversas nacionalidades, e é uma comunidade totalmente sustentável.

Cercada de parques, fazendas orgânicas, florestas, áreas de preservação de espécies em extinção, plantação de ervas medicinais, possui uma área residencial e uma área industrial (indústria verde – autossustentável). Oferece serviços como saúde, educação, escola técnica, biblioteca, recreação, centros de treinamento, artes, artesanatos. Desenvolve pesquisas nas áreas de educação e expressão artística. A área internacional – agrupada por continentes – busca permitir a expressão da diversidade de seus habitantes.

Matéria na Revista Galileu: Auroville - Conheça a cidade que não tem políticos ou classes sociais